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Escola de Atenas




Sábado, Maio 22, 2010

Há alguém que lê esse blog?

Bom, se sim... estamos de mudança gradual e certa para o www.marianarosa.tumblr.com

Um beijinho e... adieu.

Rabiscado por Mariana às 6:20 PM
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Segunda-feira, Abril 26, 2010

Então, eu prometo.

Prometo que não vou mais sair para dançar na terça feira e convidar todos os amigos para almoçar na quarta. Prometo que não vou mais usar o suco de laranja que meus pais me dão para tomar café para fazer hi-fi na quinta, que não vou mais estragar o meu joelho em cima de um salto 12 na sexta, que não vou passar o sábado em churrascos, emendar o café da manha com meus pais no domingo e passar a segunda inteirinha de ressaca.

Prometo que, daqui para frente, água de coco não vai ser uma desculpa para que eu coma lasagnha. Que vou riscar queijo quente do meu cardápio e não, eu não vou mais comer todo e qualquer pedaço de chocolate que passar na minha frente. Também juro incluir saladas de forma adequada, e não como forma de compensação diária pela quantidade de mousse de limão que eu comi no almoço.

Daqui para frente, eu não vou fingir que estudo Direito Tributário quando na verdade estou lendo um livro de Historia. Prometo não esconder “A Peste” no meio do meu Vade Mecum. Prometo não estudar Direito Constitucional da aula de civil e juro, juro do fundo do meu coração que não vou manipular mais nenhum professor assistente para que ele me deixe entregar os seminários em datas diferentes das estipuladas.

Vou pagar todas as minhas contas em dia. Vou dormir todos os dias antes das 23:00. Não vou mais virar a noite fazendo cupcake e pão de queijo. Prometo não usar o fato de morar sozinha como desculpa para comer sopa todo dia. Vou fazer uma poupança e nunca, nunca mais usar o cheque especial.

Juro, eu juuuuuuuuuuuro que não vou mais fazer piadas em cima de palcos de karaokês escusos, que não vou ficar amiga de seguranças de baladas e que nunca mais vou naquele barzinho de esquina na Lapa, onde os garçons sabem meu nome. Também vou ser boazinha, e, de agora em diante, não vou mais mandar bilhetinhos para desconhecidos, não vou deixar ninguém pagar a minha conta e não vou mentir para ninguém dizendo que eu me chamo Fernanda e que meu telefone e 99666699 depois de duas tequilas.

Eu vou ser boazinha. Juro fazer tudo isso se a porr* do meu notebook voltar a funcionar e eu puder voltar a usar o Twitter como plataforma para todas as barbaridades dessa vida.

Rabiscado por Mariana às 12:37 AM
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Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

Eu sempre fui da cozinha. Mamãe é dona de dotes culinários dos bons, famosa em mais de 15 países pela moqueca, pela geléia de morango, pelos pão de trigo e mortadela.
Como não podia deixar de ser, cresci num mundo onde cuscuz é de milharina, mandioca é nhoque, e moça prendada tem que saber de cor receita de pão e que carinho se demonstra com grandes quantidades de carboidrato.

Meus bolos de aniversário são sempre feitos em casa e eu, com o pé, perna e corpo inteiro na cozinha, gosto de receber meus amigos com alguma receitinha improvisada, mas feita por mim. Mesmo que a base de massa semi pronta, sabe?

Estava em busca de uma receita de recheio para o pão de mamãe – Gabriel vai lá para casa amanhã, e quero receber meu primeiro amor com pão quentinho – quando vi uma foto que fez meu coração parar.

Na hora, meus olhos ficaram rasinhos de água e tudo que eu consegui lembrar foi do mundo de tardes que passei com as minhas irmãs brincando no balancinho (há, eu tive um balancinho de ferro, azul calcinha e com banquinhos de plástico laranja).

A lembrança e a saudade me fizeram parar por um segundo: Uma receita de bolo formigueiro. O meu bolo favorito. O bolo que a minha mãe fazia em dia de semana, que eu comia quente. O bolo que eu sabia que ela fazia com a forma mal untada, só para que eu pudesse comer as casquinhas que ficavam presas na forma ondulada e alta de bolo, com furo no meio.

(Escrever essas coisas me emociona. Me deixa Bobinha. Me deixa com os olhos rasos de água pensar no bolo lindo que mamãe fazia naquela forma de bolo com furo no meio, completamente oxidada, de onde saiam os sorrisos e os cheiros mais gostosos que já presenciei)

Mamãe sempre cozinhou muito. Ela sempre fazia um monte de bolos. Mas a receita de bolo formigueiro era uma das mais raras de pintar pela cozinha de azulejo-cor-de-creme. Era rara e preciosa, porque era o meu favorito.

O que me intrigava era imaginar como mamãe colocava pedacinhos tão pequenos de chocolate lá dentro. Eu via magia em como alguém se dava ao trabalho de cortar pedacinhos de chocolate até ele virar granulado. Em como mamãe fazia para que o chocolate ficasse lá dentro. Em como os ovos, a farinha e o leite se tornavam um digno monumento do quanto mamãe gostava de mim.

Porque, quando ela fazia, era porque queria me agradar. Minhas irmãs não gostavam de bolo formigueiro. Era o bolo que eu e só eu gostava. Era uma tarde inteira de felicidade de balancinho e bolo formigueiro, cujas lembranças deliciosas ainda queimam aqui e me fazem chorar ao ver uma foto de um bolo branquinho, cheio de pontinhos marrons de formiguinhas de chocolate.


Momento post-it: Mamãe, para aumentar a graça da coisa, deixava o prato do bolo dentro de uma assadeira grande, cheia de água. Para as formigas não pegarem. ;-)

Rabiscado por Mariana às 8:19 PM
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Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

E-mail aberto às minhas amigas

Queridas, em todos os reveillons, eu faço uma listinha de pedidos para o ano seguinte.

Sempre peço saúde, porque ela já me faltou. Sempre peço paciência, coragem e serenidade, naquela medida de São Francisco: serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para que eu saiba a diferença entre elas.

Teve ano que pedi um namorado, pedi para emagrecer, pedi para crescer, pedi para arrumar emprego, para ser demitida, para ter coragem para ir para a academia, para parar de brigar com meus pais, para estudar mais.
Ano passado- já posso falar assim?- segurei na mão de algumas de vocês e pulei sete ondas, pedindo, do fundo do meu coração, por mais festas.

Eu sempre pedi um monte de coisa. Alguns desses pedidos se realizaram, outros não. O importante é que tudo que aconteceu, e deixou de acontecer, me trouxe aqui. Tudo que aconteceu me fez mais feliz, tudo que não aconteceu me fortaleceu.

De certa forma, sou eternamente grata a todos os pedido não alcançados e sempre agradecida por todas as coisas boas que aconteceram, porque, no fundo, no fundo, a gente sabe que o que aconteceu é o que deveria, não é?

Eu sei que sempre tem algo que queremos mudar, algo a ser aperfeiçoado, aquela situação que queremos que seja diferente. Eu sempre quero mudar tudo, sempre penso que as coisas poderiam estar melhores, mas, exercitando a serenidade para aceitar...
Esse ano, como todos os outros, já escolhi duas coisinhas para pedir:

Quero que 2010 venha com tudo que for bom para mim, para nós. Que a gente possa viver tudo o que dê para viver e que suportemos as pequenas frustrações do dia-a-dia sabendo que, pelo sim, pelo não, o melhor há de vir. Que a gente receba as dificuldades do mesmo jeito que as felicidades: Lindas, de salto alto, maquiadas, perfumadas, de peito aberto e, se possível, com um copo na mão =D

Enfim, quero ter vocês, amigas queridas, sempre perto. Porque é muito mais fácil aceitar e receber a vida de frente quando tem alguém que se gosta para ouvir os causos!

Desejo um monte de festas, de cervejadas, de viagens, de dias de sol acompanhada por vocês, de dias de chuva com um moço dos bons. Jantares, almoços, coffe-breakes, happy hours, qualquer desculpa para comer e conversar com as pessoas que a gente gosta.
Desejo para a gente um mundo de realizações e algumas dificuldades, só para manter esse jogo interessante.

Eu vou torcer para que 2010 seja exatamente aquilo que a gente precisa para ser ainda mais feliz.

Rabiscado por Mariana às 5:15 PM
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Quarta-feira, Dezembro 30, 2009

Tem em mim alguma coisa de torta, de perdida, de quebrada.
Ás vezes eu respiro, e parece que algo de grande, de escuro, de outro, expira em meu lugar, deixando no peito ao invés do alívio do oxigênio uma tristeza de sufoco. É quase uma certeza de morte.
É como quando dois relógios estão um ao lado do outro. Os dois podem estar aparentemente corretos, mas não estarão necessariamente iguais. E aí você pára e espera: qual vai soar primeiro? E fica lá, olhando, presa pelo incrível mistério da falta de sincronia.
Eu respiro como quem observa dois relógios, sem a certeza de que é isto mesmo que devo fazer, tenho dois mecanismos não sincrônicos aqui dentro. Batendo cada qual do seu jeito, escolhendo cada um como agir.
E aí eu fico aqui, parada, observando a mim mesma agindo de formas que, bate relógio, acho deplorável, bate relógio, acho incrível. Criando critérios para determinar qual das minhas atitudes e crenças, anacrônicas e des-sincronizadas, será a correta.
Lá vem toda aquela bobagem de novo.

Rabiscado por Mariana às 12:39 AM
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Segunda-feira, Dezembro 28, 2009


Odeio arrumar a casa. Sou conhecida pela capacidade suprema de bagunçar tudo que passa pela frente, e por pagar a membros da família para que arrumem meu armário. Sempre disse que só sairia de casa quando pudesse ter uma empregada, para não fazer NADA.

Meus pais, além de me estragarem para relacionamentos (Já viu casal fazer 25 anos de casados, de boa?), me mimaram além da conta. Na casa dos meus pais, com um pouco de manha, eu não precisava fazer NADA. O copo do leite ficava no chão da sala, minhas roupas e sapatos faziam uma trilha da porta de entrada até o banheiro, eu cozinhava a tarde inteira e deixava aquela bagunça.

Cumpri o dito: saí de casa e tem empregada 3 vezes por semana.

Não contava é com o gosto que dá cuidar da própria casa. Sentar no sofá e ver tudo arrumadinho, pisar no chão de madeira do quarto e ele estar lisinho e brilhante. Lavar a própria louça, fazer a própria comida e sentar na cozinha. Tudo isso tem um prazer diferente quando se trata da sua própria casa, do seu próprio espaço.

Entendo a minha mãe agora, e os xiliques que ela dava quando eu bagunçava a casa. Não quero ninguém bagunçando a minha casa. Não quero bagunça aqui e não quero outra vida que não ver o que quiser, comer o que quiser e ficar em paz.

Rabiscado por Mariana às 10:32 AM
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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Saiu do trem para a plataforma intermediária, nariz empinado e fones de ouvido, com os olhos em algo que não estava lá.
As muitas pessoas em volta não chegavam a formar uma multidão, o horário no meio da tarde impedia aquela sensação calma e pacificante de estar perdida em um mundo de gente que não se conhece. Ali, entre poucos desconhecidos, a vida era mais solitária.
O deslocamento de vento provocado pela movimentação do trem atingiu em cheio as suas costas, lembrando que além de um conjunto de memória, músicas perdidas e tristezas, existia um corpo a abrigar os pensamentos.
Caminhou lentamente, parou a olhar os trilhos. Posicionou os pés calçados em saltos 8 já após a faixa amarela, o bico redondo já a tocar o fim da plataforma, verniz no ar.
Um segundo. Dois segundos. Três.
O Trem veio lentamente, como se soubesse, e, ao passar na sua frente, levantou um vento morno.
Sobrevivera a mais uma tarde.

Rabiscado por Mariana às 6:40 PM
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Sexta-feira, Abril 10, 2009


“People tell me to keep on dreaming, that's just what i'm gonna do”


Eu costumava passar os finais de semana atracada com ele. Eu sempre estava ocupada em tempo integral durante a semana e sábado e domingo significavam tardes preguiçosas de sofá, usando programas de tevê como desculpa para passar mais de 5 horas matando as saudades.
Esporadicamente eu reclamava que queria sair, que devíamos ter programas com outras pessoas... No final das contas nós acabávamos brigando e ficando no sofá. Eu encaixava as minhas pernas no meio das dele, prendia o meu pé no tornozelo dele e apoiava a cabeça na curva dos ombros largos dele.
Eu, que era tão pequena quando estávamos em pé - afinal, tínhamos adoráveis 15 centímetros de diferença – era a exata medida quando estávamos no sofá – cada pedaço de mim cabia exatamente na pele dele, e eu me sentia do tamanho da saudade que sentia: gigante.
Fato era que acabávamos pegando no sono entre um documentário do Discovery Channel e outro e, muitas vezes ele acordava com cãimbra ou com braços dormentes já que não se mexia para não me acordar. Eu sempre o acordava, seja porque ele havia virado o braço de um jeito desconfortável ou porque estava roncando – e ele roncava muito. Hoje vejo como esses despertar eram egoístas.
Alguns dias trocávamos os sofás (um de tapeçaria branca de três lugares na casa dele ou um largo e bege na minha casa) por uma rede azul que ficava pendurada no jardim. Normalmente ficávamos na rede depois de umas orgias alimentares dominicais, que aconteciam em uma mesa larga de madeira que ficava embaixo de um telhado, na beira da piscina, regadas a muito amendoim, azeite, guaraná kuat zero (o refrigerante favorito dele) e todo tipo de comida gostosa.
Quando ficávamos na rede, sempre deitávamos um de um lado um do outro: eu adorava ficar olhando para os pés dele. Ele tinha os dedos de um tamanho bem bonitinho, e, como todo homem, uns pêlos mal distribuídos. O pé esquerdo era mais peludinho, e o dedão tinha uns pêlos cacheadinhos como o cabelo dele. Era engraçado aquele dedão moreno, com uns pelos macios, enrolados e tão bonitinhos.
Lembro de um dia em que pegamos no sono na rede azul e eu acordei morrendo de frio, muito, muito tarde da noite. Estávamos com as pernas entrelaçadas, e o céu estava estrelado. Eu fiquei imóvel bem por uns 10 minutinhos, tremelicando de frio e abraçada nos tornozelos dele, com o rosto apoiado naquele pé com pelos cacheadinhos, pensando em como era bonita aquela nossa história.
Atualmente, troquei os finais de semana de sofá por longas tardes de conversa e cerveja ou estudos tediantes sobre Direito Societário.
O pensamento ainda naquelas tardes cheias de preguiça e amor.

Rabiscado por Mariana às 10:45 PM
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Sexta-feira, Março 27, 2009

Existem dias. E existem dias realmente bons.
Hoje era só um dia.
Tinha colocado a roupa escolhida de véspera (já para evitar desesperos do tipo “com que roupa eu vou”) e achado uma porcaria. Saí correndo, de salto alto, cabelo arrumado e maquiagem e ainda de pijama para a lavanderia, onde baguncei a roupa para passar, queimei uma camisa e decidi vestir a roupa previamente escolhida – só para me sentir uma pateta por fazer esse tipo de coisa quase todos os dias.
Eu ignorei o dia perfeito em volta, de céu azul brilhante, sem nuvens, um solzinho matreiro vindo sabe-se-lá de onde. Não dava para prestar atenção; esse era só um dia, e como tal seria tratado.
Ignorei a sorte de ir sentada no metrô em horário de pico, fingi que não vi que um moço bem do jeitoso levantou para que eu sentasse naquela bagunça do trem, fui só educada com a velhinha que me deu a informação do ônibus para o caminho certo e tomei por garantido o cobrador perguntando se eu não queria o jornal, se eu sabia direitinho em que ponto descer.
Aceitei como normal o fato de que peguei todos os faróis de pedestre para atravessar a Faria Lima Abertos. Desconheci a delicadeza da recepcionista ao me desejar, de verdade, boa sorte na entrevista. Passou batido o sorriso dos meus entrevistadores ao se despedirem.
Recebi as pequenas dádivas do meu dia como quem recebe uma tarefa. Como quem já sabe, como quem não se importa.
Perdi-me para voltar. Perguntei para todo mundo no ponto. Perguntei para os cobradores e motoristas de todos os ônibus que passaram e simplesmente ninguém sabia como sair dali.
Foi com a mesma carga que aceitei o “-Esse serve” do último ônibus que passou. Entrei, o motorista fechou a porta e, enquanto eu tentava me equilibrar entre o salto 8 e a minha pasta, ouvi: “-Olha, não passa a catraca não. Fica aqui na frente. Esse ônibus não passa lá”.
Olhei feio. Mas era óbvio que isso aconteceria num dia. Quando se tratam simplesmente de dias, esse tipo de coisa acontece. O motorista, parado no semáforo, olhou no fundo dos meus olhos e disse, num tom sorridente:
“-O ponto onde o ônibus para a Paulista passa é longe daqui, mas é o caminho desse ônibus. Não vamos deixar você parada lá à toa não é? Olha, pega o jornalzinho aqui do lado!”
Ele continuou sorrindo, e pelo breve trecho que ele me levou – realmente era longe do lugar onde eu estava – ele assobiou alguma coisa que me lembrou a minha avozinha, que há tanto tempo não vejo.
“-Olha, desce aqui no farol e dá uma corridinha até o outro lado da rua. Você vai ver o ponto! Tchau! Bom dia!”
Levou cinco quarteirões de trânsito, toda a lembrança da minha infância na casa da minha avó e profundas discussões sobre a futura conjunção de marte no meu signo para que eu percebesse que de certa forma, bem, de certa forma, a maioria dos dias é realmente bom.


Momento post-it: Passei para a segunda fase da entrevista! Acabaram de me contar, e olha... nem tomava por certo

Rabiscado por Mariana às 2:57 PM
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Domingo, Dezembro 14, 2008

Todo mundo tem uma música. Nós temos as músicas para ouvir no carro, as músicas para foder, as músicas para tomar banho, são músicas para lavar louça, músicas que lembram os amigos, músicas que lembram momentos (que são inesquecíveis com ou sem música).
O que não costumamos prestar atenção é na música incidental. Lógico que em um mundo onde todo mundo anda de fone de ouvido, a música incidental deixa de fazer parte da nossa vida para ser simplesmente aquilo que atrapalha a execução do set list pré-programado.
O barulho dos carros, das pessoas conversando, os passos abafados no carpete, os talheres nos pratos, a vida acontecendo em volta se torna mera mímica; o som, afinal, está sendo reproduzido somente nos nossos ouvidos.
Assumo que eu mesma sou adepta dos fones de ouvido. Sou uma louca por música desconhecida e apaixonada por rádio, e dificilmente sou vista sem fones de ouvido ou passando mais de duas horas sem falar em música.
Mas tem algo que sempre me intrigou: como pode uma mesma música se repetir em momentos tão diferentes, causando o mesmo impacto?
Assuma, você também tem uma música que se repete. Que toca no rádio exatamente naquele momento que você precisa ouvir, que você ouve sempre que clica em shuffle, Que toca na casa de alguém quando você entra, que simplesmente toca nos restaurantes, que você ouve sem querer ao passar por uma porta entreaberta.
Eu tenho uma música assim, e, com o tempo, percebi que era parte de um conjunto de músicas incidentais que tocam em alguns momentos da minha vida, assim, sem querer.
É como se a intenção fosse mostrar que os momentos desconexos em que eu consigo ouvir os seus acordes não são tão desconexos assim, mas sim a trilha sonora perfeita de algo que ainda não consigo entrever.
“...one of us is changing..” é o que a Carole King canta logo no comecinho de “It's too late” a minha música incidental, e termina prometendo que “...There'll be good times again”.
Hoje, a música está tocando por aqui. Não acidentalmente.


Carole King, It's too late: ... Though we really did try to make it... It's too late"

Rabiscado por Mariana às 7:18 PM
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Quarta-feira, Agosto 27, 2008




E então, prendeu a respiração.
Ali, na janela em que se debruçava para observar a manifestação, o braço desvelado pela manga dobrada da camisa dele encontrou o pulso dela.
Tentando encontrar o ângulo certo para a foto do caos em que a avenida se encontrava, o braço dele tocou de leve o pulso dela.
Abalada pela proximidade, ela simplesmente não se moveu. Prendeu a respiração numa tentativa de que ele não percebesse que ela estava ali, que estavam se tocando e assim permanecesse o máximo posível.
Não era um ensejo. Não era um convite. O Braço que roçava o pulso era apenas uma sugestão da intimidade que cerca as pessoas que dividem um segredo.
E o segredo era ela.
Ela sabia que ele sabia. Ela sabia só de olhar para o rosto cansado dele. Ela sabia que aqueles olhos marcados e fundos sabiam de tudo.
Era uma certeza tão grande que ele guardava em si toda a sabedoria do mundo que era a ele que recorreria quando os conhecimentos não bastassem: Para que ir?Quais as cores da bandeira da Macedônia? Que horas tiro o bolo do forno? Para onde vou nas férias? Qual a estratégia certa?
O braço que roçava o pulso sabia de tudo. Sabia que ela se escondia dele nos desvãos do escritório. Sabia que ela corava quando o ouvia tossir na sala ao lado. Sabia da vontade dela de contar a ele os seus pequenos movimentos diários, suas limitaçõe, os segredos do seu corpo e as vontades do sorriso.
Seguia com o pensamento o cheiro de tabaco dele nos corredores acarpetados. Olhava o rosto dele com cuidado todos os dias: precisava ver nos olhos sempre fundos dele se tinha dormido bem.
Ela sabia também. Sabia só de olhá-lo se estava triste, se tinha feito amor com a esposa bonita e delicada com que tinha recém se casado ou se tinha passado a noite preparando alguma coisa importante. Sabia, e bastava um olhar de soslaio para as costas encurvadas dele, se ele tinha almoçado.
O que nenhum do dois sabia é que O braço que toca o pulso é mais rápido que o pensamento: Encostou de leve no pulso dela e foi embora levando só a foto da avenida.

Rabiscado por Mariana às 5:42 PM
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Quinta-feira, Novembro 29, 2007

"Aconchegou-se no metrô, fechando os olhos para as marcas de suor embaixo das axilas dos homens feios e sujos, para as barrigas grandes aparecendo abaixo das camisetas curtas e velhas das mulheres: não era um deles.
As janelas fechadas criavam um clima de inferno tropical em pleno inverno, era um dia de cão, e como tal seria tratado; ela levantaria do banco cor de merda do metrô paulistano, deixando para trás uma marca molhada do vão entre as suas pernas levemente molhada no assento. Era aquela marca um vestígio vergonhoso do fato de estar vivendo entre aqueles animais, de estar suando e respirando entre eles, uma constatação assustadora do fato de ser, mesmo que só nas porcarias da vida, próxima daquelas bestas assustadoras.
Sete da manhã, Oito da noite, três da Tarde ou meio dia, a sensação era sempre a mesma, o calor, o abafamento e a estufa infernal que existiam naquele subterrâneo não mudavam em razão da época ou da hora, era sempre a mesma imundice podre, a sujidade da existência pobre e periférica que pareciam crescer sempre que delas se reclamasse.
“O nojo, pensava, é o nojo que me difere deles. É o nojo dessas mulheres feias, desses homens fétidos, desses monstros subumanos, dessas crianças demoníacas e sujas que me afasta da não-vida dessa gente. Eu sei o que faço. Eu sei o que sou. Eu sei o que quero. Eles inexistem: Eu sou.”
Levantou para sair do vagão, tomando cuidado para não encostar-se a algo que pudesse provocar a ânsia que regurgitaria a vida limpa e bela que guardava dentro de si sobre aqueles ombros pesados e marcados dos homens e dos peitos murchos e acabados das mulheres. Vomitar a sua essência, feita de torrada, geléia e suco de laranja sobre a cabeça daquelas crianças que tomavam café com leite e pão seco.
Gorfaria seu desjejum aos pés mal calçados daqueles zumbis diários, como se aquele deslize fosse um pedido de perdão divino. Lavar, com seus fluídos, os pés apostólicos daquelas bestas demoníacas, enxugar a umidade que dela haveria saído com as páginas amarelas dos livros desbeiçados que carregava nos braços, seria essa a única forma de redimir aquela gente do pecado de ser miserável?"

Momento post-it: Em primeira mão, o primeiro capítulo do livro que um dia terminarei

Ouvindo Phanton Planet, Lonely Day: "... It´s gonna be a lonely, lonely, lonely, day... When you want it all to go away..."

Momento Post-it: Eu consertei linha teleFônicas hoje. Uma estagiária bombril, fato!

Rabiscado por Mariana às 6:19 PM
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Domingo, Novembro 04, 2007

Estava Chovendo. Era óbvio.
São Paulo nas últimas semanas tem sido um misto de mármores do inferno e Dilúvio de Noé, com essas duas situações se alternando em períodos de mais ou menos 4 horas.
Só existem três situações em que chove: Aquelas que não podiam chover, as que seriam muito melhor nada se molhar e as que se chovesse, resultariam em Desastre.
Era óbvio que estava chovendo porque eu estava enfrentando o último tipo de situação; a de desastre iminente.
Atrasada, de sandália e carregando uma caixa de bombons de chocolate caríssimos para um procurador da república. O fato do ônibus ter parado ali, naquela passagem entre a paulista e a Dr. Arnaldo, fez com que eu nem notasse direito os grafites, os mendigos ou qualquer outra coisa. Estava irritada, com calor e com a paciência no limite.
Mudei de assento, para um lado onde a janela pudesse ficar aberta e eu não ficasse ensopada pelos pingos do tamanho de bolinhas de gude que batiam nas janelas como se quisesse quebrá-las. Sentei-me atrás de um senhor que, num olhar de relance, estava resmungando sozinho para si mesmo, sabe-se lá se da chuva, do trânsito ou do calor amazônico dentro do coletivo.
O Homem gesticulava firmemente e resmungava baixinho algo que eu não conseguia distinguir entre palavras e grunhidos.
Eu, bufando e reclamando pra mim mesma, me senti compreendida, abençoadamente compreendida, como se ele fosse solidário ao meu atraso, ao meu pé que ficaria molhado, ao meu mal-humor, à minha fome, à minha vontade de quebrar os vidros com os punhos e pular do ônibus para chutar a boca de Deus que tudo encharcava com aquela chuva insana.
Pensando na idiotice de chegar a Deus e dizer: “Por que só chove quando uso havaianas?”, a chuva amainou e eu consegui entender o que o homem resmungava: Ele cantarolava alguma coisa que meus parcos conhecimentos de música clássica classificaram como música de câmara.
Olhei para frente e foi aí que o homem, Deus, os chocolates gran-finos e os mendigos da passagem entre a Dr. Arnaldo e a Paulista explodiram dentro de mim, enquanto eu olhava para as mãos daquele homem feio e suado que grunhia à minha frente: no colo do homem, estavam partituras. O homem gesticulava para a janela como se tentasse reger a chuva, com olhos quase cerrados, soltando baixinho o som que supostamente sairia do controle de suas mãos.
Era pobre, estava suado e amarrotado, vestia roupas simples e gastas. Andava de ônibus na chuva, ficava em congestionamentos, em coletivos fedidos, mas era um maestro.
Eu a minha pobreza, eu e a minha falta de senso, de dinheiro, de comida, de tudo, eu e a minha falta! Eu, eu, eu, eu e a chuva que batia na janela que o homem transformava dentro dele em música que escorria no vidro, escorria pela lataria empoeirada do ônibus e caía no asfalto já cinza.
Saí do ônibus me sentindo desamparada, como se tivesse, por instantes, pairado acima daquela situação humilhante de suar dentro de um ônibus, para logo depois ser jogada, num mosh absurdo, em cima daquelas pessoas que se amarrotavam no corredor do coletivo.
O Homem não era um dos meus. E eu sabia disso.


Momento post-it: "Sometimes, there's so many beuty in the world, that I can't stand it"

Ouvindo Thievery Corporation, The time we lost our way: ...Hear my love where your heart colides...Gentle memories replace our tears

Rabiscado por Mariana às 12:47 PM
Cutucaram:


Terça-feira, Setembro 18, 2007

Estudozinho Qualquer

Livros Entre prateleiras
Anotações entre rabisqueiras
Ler, Lembrar, guardar

As letras vão devagar
As páginas vão devagar
As apostilas vão devagar

Devagar, o exercício acaba.

Eta vida chata, Meu Deus!

Rabiscado por Mariana às 9:01 PM
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Terça-feira, Julho 31, 2007

Ah, como é grave o adeus
O adeus de mãos tristes
De "não-te-amo-mais
E-ainda-bem-que-já-vais"

Os adeuses esbranquiçados
Por lágrimas posto que não de dor
Mas sim de Alívio
Ah, os adeuses aliviados
Que soltam os amantes traiçoeiros

Adeuses da cor-de-vergonha que só
o corno que adorna a testa do outro pode pintar
Ah, os adeuses alegres da troca de lençóis
Da troca de corpo, do escolher entre tu e ele

Ah, como adoro um adeus hipócrita
Lacrimoso e dolorido
Que só sente quem é trocada
Como um velho, brega e esfarrapado vestido.




Momento Post-it: Eu desisti dessa idéia de que quero que as aulas voltem. Estou com uma preguiça...

Rabiscado por Mariana às 1:55 PM
Cutucaram:


Quinta-feira, Julho 26, 2007

Um dos meus maiores problemas... é ser fofa.
Não importa quem seja: Marmanjos marombados, moçoilas de decotes e os cultos de óculos: todos sentem uma necessidade incrível de, ao me conhecer, apertar as minhas bochechas, falarem comigo como se eu fosse um filhote de poodle ou sorrir com um ar meio de "ooh" como se o meu olhar fosse algo parecido com o do gato de botas para os soldados; Um saco.

Sei que se eu tenho tanta gente que se importa comigo isso provavelmente vêem da fofice que chega 2km antes de mim em qualquer lugar que eu vou. Há mulheres que esbanjam uma sensualidade atraente, outras, que têm seios lindos. Há homens cujos narizes chegam primeiro nas salas de aula, ou são ogros absurdos, que nem é preciso falar "-oi" para saber.
A minha fofice é dessas: não é preciso ouvir a entonação da minha voz ou me ver sorrindo pra ter vontade de me colocar no colo.

A primeira coisa que pensam ao me conhecer é; Que simpática, que boazinha, que fofa, que querida!
Eu não sou! Eu sou um monstrinho de quase 20 anos, uma jovem mulher feminista, eu trabalho, eu estudo, eu falo espanhol!
Sei que as minhas bochechas são macias, que meus gestos são delicadinhos e desajeitados, e que quando fico sem graça fico rosada até o último fio de cabelo. Mas...É pedir demais pra não ser comparada a um bebê?

Quem não me conhece provavelmente vai achar que é pretensão, e que eu fiz um texto auto-elogiativo só para chamar atenção.
Mas,infelizmente caro leitor, não é. Se você duvida, me convide para sair. Vamos ver se você não muda de idéia.


Momento Post-it: Quero ir no teatro do Sesi semana que vem, alguém?

Ouvindo Cartola, Injúria: "não sei o que foi te derrubar, o castelo que eu fiz...em meu castelo era tão feliz"

Rabiscado por Mariana às 5:15 PM
Cutucaram:


Segunda-feira, Julho 16, 2007

Viro e reviro na cama em busca de uma posição que me permita repousar, de olhos abertos e fixos no armário de madeira suspenso acima do meu rosto, pelas longas horas que se arrastarão até que o sono chegue.

Passo quase três horas criando pequenos jogos comigo mesma: reconstruo os diálogos que tive durante o dia, corrigindo meus erros. Imagino cenas futuras, em que eu sempre sou bem sucedida. Tento recriar mentalmente coisas que só ouvi falar, e não faço a menor idéia do que sejam; coisas como os jardins suspensos da babilônia, ou framboesas. Faço listas idiotas, como " Cinco filmes que não valem a entrada do cinema" ou "Cinco músicas que lembram momentos embaraçosos da minha vida" ou pior " Cinco maneiras para falar não para a minha chefe".

Nada adianta: O travesseiro nunca está do jeito que quero, o pijama incomoda, e ainda o lençol sempre sai do lugar.
Amanhã, ao acordar, pisarei em cima de todos eles e me arrastarei, vestindo o que sobrar do pijama, até o banheiro, para olhar para o meu rosto e tentar me convencer que, novamente desaprendi a dormir.

Resumindo: Uma merda.

[b] Momento post-it: Crises de insônia são algo corriqueiro em minha vida, mas o problema é que eu nunca tenho insônia quando preciso. [/b]


Rabiscado por Mariana às 1:51 AM
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Quinta-feira, Junho 21, 2007

Dizem que o outono é a estação da rinite, do morango e das inversões térmicas desesperadoramente rápidas.
Outono pra mim é a melhor estação do ano.

A única estação do ano que se pode tomar sorvete sem medo que ele derreta demais ou congele a sua boca, a melhor estação para piqueniques no Ibirapuera, a época perfeita para se andar por São Paulo, já que a cidade fica coberta de Ipês floridos em seus tons fortes e seus tapetes de pequenas flrozinhas no chão, é o tempo perfeito para ler de tarde, as tardes de outono são longas, modorrentas e frescas, com um vento gelado e um sol que aquece levemente a nossa pele, e brilha, brilha iluminando as folhas claras do papel.

Outono em São Paulo é sempre um mistério. Pode-se usar o armário inteiro num único dia, ou passar semanas de camiseta e shorts, só esperando pela mudança de temperatura. É entre Maio e Junho que todos mundo que mora aqui vira metereologista: "Esse vento pra lá é que vai chover", "Se tiver lua no céu e estrelas bem brilhantes de noite é que no dia seguinte vai ter sol", "Quando as nuvens estão assim é que vai ficar nublado amanhã", e outras bizarrices.

Mas o bom mesmo são os dias clássicos de outono:
Os dias em que o frio é grande, e, para sair da cama, só depois de três doses de coragem e uma de loucura; que você se agasalha, se entoca e se cobre de estofamentose mesmo assim passa frio o resto do dia... e que dia! Aqueles dias ensolarados, que o sol chega dói nos olhos. Que o vento passa assoviando e esfriando os pés, e o sol arde no rosto.

Minha mãe conta que eu nasci num dia desse.
Que ela passou frio a madrugada inteira na sala de parto, e quando eu nasci o sol já aparecendo. O sol mais frio que ela já viu. que tinha geado a noite, e que a grama do quintal tinha amanhecido coberta de cristaizinhos de gelo que sumiram tão magicamente como eles havia chegado, assim que o dia chegou por completo.

O outono é o sinal do meu aniversário, das mixiricas, das festas de São João e da inalação.
Esse ano, mais do que nunca, é o sinal de uma vida nova que caiu das folhas do ipê.

Rabiscado por Mariana às 12:18 PM
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Domingo, Junho 03, 2007

-Correndo por que, vaquinha? Vai encontrar um macho?
O grito soou altíssimo no meio da multidão que ia, como em qualquer outro dia, em peregrinação para o metrô lotado. A mulher a que a ofensa de dirigira parou e, por dois segundos, o mundo ficou em suspenso; Ninguém soube qual seria sua reação.
A dúvida durou pouco: A mulher, num único movimento, voou para cima do velho que havia dito tal absurdo, largando a enorme bolsa no chão e parecendo estar descalça, ao invés de estar encarapitada em um salto altíssimo.
-O quê!?- Disse ela, com um berro a pouco menos de cinco centímetros do rosto do ignorante- Repete, seu idiota, repete- continuou ela, de maneira insana.
Ninguém mais se movia, e, iniciou-se um burburinho de rumores das razões da discussão. Ouvia-se que era por que ela tinha pisado no pé dele, dizia-se que ela havia esbarrado no velho com a bolsa. A resposta veio mais rápida, cortando meus devaneios na forma de um berro que ecoou pelo vale do Anhangabaú:
-... Se você não ouviu as minhas desculpas, sinto muito. Mas eu pedi e não aceito esse desrespeito. Repita, Repita se você é homem...
-Vaquinha!- repetiu o homem em voz incerta, talvez por que a raiva da mulher era palpável até para mim, a alguns passos atrás do velho, e sua expressão de ódio era uma máscara para um rosto delicado.
Fui num átimo de segundo, e o tapa soou estralado. O barulho daquele tapa carregava a vergonha da ofensa, e toda a raiva da persistência do insulto. A mão dela continuava a descer, e demorou um pouco mais que o necessário para alguém segurá-la, e impedir que a agressão continuasse. Talvez todos em volta, assim como eu, desejassem ver aquela mulher acertá-lo no orgulho.
A turma do chega - disso entrou em ação e em pouco tempo os dois se perderam na multidão, um resmungando de um lado e outra com vergonha do outro. O som do tapa não. Esse continua no meu ouvido, porque o estralo foi o som do meu ego reconstruído de todos os desrespeitos que já passei por ser mulher.



Momento post it: Infelizmente, tudo que está aí é real, e para piorar, eu não estava assistindo: fui eu quem deu o tapa. Tropecei (em cima de uma bota linda de salto agulha nº8) em um idiota, e, pedi desculpas, correndo em seguida pra encontrar meu primo, que caminhava um pouco mais à frente. O resto é história. Quem me conhece sabe que e sou absolutamente incapaz disso... mas não pude me controlar. acho que está na hora de entrar pra terapia... ¬¬

Ouvindo marvin Gaye, I want you: "...I want you, but i want you to want me..."

Rabiscado por Mariana às 3:22 AM
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Sexta-feira, Maio 11, 2007

Faz MUITO tempo que eu não posto por aqui.
A vontade de escrever continua, e eu, imaginariamente, construo textos que gostaria de dividir com as duas ou três pessoas que acessam o Maga do Id constantemente.
Mas, sabe... tem alguma coisa errada.
Minha vida parece novamente em suspenso: é quase como eu seu estivesse na eminência de algo fantástico, que ainda não sei o que é, e que pode mudar tudo em um piscar de olhos. É também uma sensação de incompletude, de vazio e de medo: do desconhecido, de dificuldades.
Sempre me sinto assim antes do meu aniversário, sabe como é, inferno astral.
Serve tanto para sofrer o que não sofri durante o ano e também para mudar o que tem que ser mudado.

Por enquanto, estamos fechados para reforma. Pode ser que poste amanhã, pode ser nunca mais.
Beijos e até logo,

Mariana


Momento post-it: Fique sossegado, eu continuo amando você. Não sei se é bom ou se é triste, mas continuo acordando mais feliz se sei que vamos nos ver. É o amor que não pára nunca, e que não importa se não te pertence. É minha a felicidade, é meu o prazer e também minha, só minha, a tristeza.
Foi Vinicius uma vez disse que a maior solidão é a de quem não ama... Então eu, meu doce, nunca estou sozinha.



Ouvindo, Samba da Benção, Vinicius: Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa de triste...Qualquer coisa que sente saudade, Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor...E para ser só perdão"


Rabiscado por Mariana às 2:17 PM
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